quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Patrimônio Genético – DNA na criação de BICUDOS

Criadouro Realengo e o Portentoso Bicudo Sobe-Sobe Bicudo Sobe-Sobe







Possuidor de excelente genética, o bicudo Sobe-sobe, portador do Anel Nº0155 IBAMA-01-02-19-RJ 3.0, nascido em 07-01-2003, com pouco mais de dois anos, mesmo não estando totalmente preto, começou a compor sua história.

A sua trajetória começa em 2005, quando participou pela primeira vez de torneios de fibra , conquistando o primeiro lugar no torneio de Inhumas – Goiás. A excelente performance deixou a todos perplexos, principalmente por se tratar de um ‘calouro’ em competição de fibra. Além da sua performance em torneios, firmou-se como excelente padreador.
Em 05 de dezembro deste mesmo ano, nasceu seu primogênito e encerrando a temporada 2005/2006 com oito filhotes. Em 2006, após a muda de pena, já estando 100% preto, participou de dois campeonatos - obteve o primeiro lugar em Fibra no Campeonato Goiano e vice-campeão no Campeonato Brasil - Central. A exemplo de três torneios que ele participou:
Bicudo Fibra - 27/08/2006 - Araguari - MG
Classficação
Pássaro
Proprietário
Cidade
Clube
Tempo
1º colocação
Sobe-Sobe
Waldir
Goiânia
CCPG
7'44'53'

Bicudo Fibra - 05/11/2006 - Rio Verde - GO
1º colocação
Sobe-Sobe
Waldir
Rio Verde
CCPG
7'27'4'

Bicudo Fibra - 26/11/2006 - Goiânia - GO
1º colocação
Sobe-Sobe
Waldir
Goiânia

8'03'10'

A segunda temporada de choca, compreendida do período 2006/2007, iniciou  em 16-01-07, com o nascimento do seu nono filhote,  encerrando assim este período com 19 filhotes. Devido a este bom desempenho, e com sua prole já contando com 27 rebentos, sendo 14 machos e 13 fêmeas [ paridade de 1 para 1 ] o Criadouro Realengo assegurou o seu Patrimônio Genético – DNA Fingerprinting (Impressão digital do DNA). Exame este, que identifica via DNA o padrão genético do espécime, visto  que é único para cada espécime da mesma espécie.

Importante ressaltar que, na aquisição de seus descendentes o adquirente, tendo alguma dúvida ou mesmo para que possa desfrutar do mesmo procedimento em relação ao seu plantel,  poderá ter a comprovação de paternidade e conseqüentemente iniciar o seu procedimento de linhagem genética com alto grau de segurança.

Face ao exposto e  querendo a confirmação ou o refinamento de seu plantel via exame de Fingerprinting, bastará enviar uma amostra de sangue para a empresa Unigen, sito  á  Rua Dr. Zurquim,  número 1720, Cj 62, Bairro Santana – São Paulo-SP, onde está depositado o banco de dados do Criadouro Realengo, em especial do curió Realengo e do bicudo Sobe-Sobe. Agora, estamos em junho de 2007, encontramo-nos na expectativa do término da muda.

A performance de Sobe-Sobe faz-nos confiantes numa promissora cadeia de sucessos deste que, conquistou a todos que fazem do CRIADOURO REALENGO UM CRIADOURO DE CAMPEÕES. 

(Matéria extraída do site do Criadouro Realengo)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A HISTÓRIA DO BICUDO JEQUITIBÁ



A HISTÓRIA DE UM CAMPEÃO




Nome: Jequitibá
Filiação: Confete e Uberlândia
Espécie: Bicudo 
Sub-espécie: Oryzoborus Crassirostris Maximiliani 
Canto: Flauta 


A natureza mostra suas maravilhas àqueles que têm olhos de ver ! 

A natureza esconde suas maravilhas para que nós, com o nosso esforço, dedicação e, muitas vezes, com sorte, possamos descobrí-las! 


E assim foi que a natureza nos deu Jequitibá ! 


O saudoso Dr. Luiz Fernando Rodrigues Costa, de Barbacena MG, por volta de 1990, possuía dois belos bicudos de fibra, Carnaval e Confete, originários respectivamente dos bicudos repetidores por ele adquiridos: Barbacena e Negrinho de Santos Dumont e de uma fêmea vinda de Uberlândia, de nome também Uberlândia. 

Carnaval era a estrela, participante dos torneios de fibra sempre com grandes resultados, era o preferido; enquanto Confete, mais tranqüilo, repetindo menos mas com grande fibra, não tinha o mesmo brilho do irmão e ficava em 2º plano. Além destes dois bicudos mantinha ainda a fêmea Uberlândia já em idade bem avançada, vivendo num pequeno viveiro de arame, quase esquecida e que ainda por cima era difícil de ser galada, pois só deitava no poleiro e mais ainda, botava religiosamente fora do ninho quebrando os ovos; por tudo isso não era mais utilizada na criação. 

Quis a providência que o Dr. Luiz se ausentasse de Barbacena por um longo período, aproximadamente de dois meses, para cuidar da reforma de sua casa de praia. 

Foi então que nosso amigo Flávio, vereador em Barbacena, auxiliando o tratador do Dr. Luiz, sabedor da história da velha fêmea nossa conhecida, estendeu uma toalha sob os poleiros do pequeno viveiro e soltou o Confete para cortejar e galar a fêmea, o que aconteceu uma única vez. 

E não deu outra, a fêmea botou dois ovos que foram amparados incólumes pela toalha salvadora e cuidadosamente colocados por Flávio em outra fêmea, Luana, que era a estrela da criação. 

Em 03 de março de 1991 nasciam dois filhotes que foram tratados com carinho tanto por Luana como por Flávio, recebendo os anéis SERCA-208-007 e SERCA-208-004; o primeiro viria a ser o Jequitibá, o segundo uma fêmea, hoje com localização desconhecida. Consta que o filhote macho após 35 (trinta e cinco) dias foi trocado com o tratador, pelo Flávio, por uma televisão branco e preto, comprada à prestação. 

Mas havia um problema, passava-se o tempo e o filhote não cantava, a ponto de ser considerado fêmea, e nunca cantou enquanto pardo, até que finalmente pintou. Era macho! E pintado veio a Belo Horizonte em fins de 1992, ao torneio final do campeonato Rio-Minas no Mineirinho; já cantava e então, quando disputando na estaca de peito de aço, tirou 1º lugar com mais de cem repetições. E nunca mais parou! 

No ano seguinte, ainda maracajá foi campeão mineiro de fibra, encantando a todos com a sua performance. Ainda em 1993 começou a participar dos torneios nacionais a partir de outubro e, mesmo assim, sagrou-se, após inúmeras vitórias, o bicudo revelação do Brasil. 

Nascia um verdadeiro campeão! 

Mas o destino é caprichoso: no fim do campeonato nacional de 1993, seu proprietário, Flávio, foi suspenso pela FENAP, pelos quatro torneios da temporada seguinte e, em 1994, Jequitibá iniciava sua temporada no 5º torneio, com o Sobe-e-Desce já disparado com 80 pontos à sua frente. O jovem bicudo de fibra iniciou então a sua reação espetacular, ganhando os seis torneios seguintes e, após o torneio de Jacarepaguá, penúltimo torneio da temporada de 1994, apenas 1 ponto o separava de Sobe-e-Desce; a decisão seria em Rio Verde, Goiás. 

Mas então, como uma homenagem e deferência especiais ao grande e campeoníssimo Sobe-e-Desce, que já se encontrava quase cego, Jequitibá não compareceu a Rio Verde. Sagrou-se campeão de 1994 o velho e saudoso bicudo numa escalada impressionante, sem precedentes, de 1989 à 1994 (6 anos ininterruptos) e Jequitibá foi seu vice campeão. 

Em 1995 foi disparado o grande campeão nacional com nove títulos de 1º lugar, com performances extraordinárias, se aproximando de 200 (duzentos) cantos nas marcações finais. 

Em 1996 foi vice campeão nacional pois o campeão à época, participava somente dos torneios da FENAP onde oJequitibá não estava (já naquela época, o campeonato patrocinado pela FENAP tinha mais de um torneio por domingo). 

Neste mesmo ano de 1996, no torneio de São Gonçalo foi vendido ao Guima, de Rio Verde (GO) por uma pequena fortuna após sagrar-se campeão do torneio com 222 cantos, recorde até então. 

E foi com o Guima, no torneio de Paracatu (MG), em 1998, que se viu a maior performance de um bicudo de fibra em todos os tempos. 

O Natureza, já com o Wagner Triginelli, havia cantado 195 cantos na marcação final, em um torneio pesado, já começava a receber os cumprimentos pela vitória. Mas ainda faltava marcar o Jequitibá ! Por volta das duas horas da tarde, começava a marcação dos cinco últimos bicudos, dentre eles o Jequitibá, que diante de quatro marcadores e do chefe da roda, voando por toda a gaiola e passando até dezoito cantos por vez, ininterruptamente, atingiu os 238 (duzentos e trinta e oito) cantos, recorde absoluto até hoje. Sagrou-se campeão nacional de 1998. 

Depois foi a vez de Chico Roque, nosso grande companheiro de Niterói, ter a felicidade ímpar de possuir aquele que já era uma lenda nacional como o maior bicudo de fibra do Brasil. 

Com o Chico foi um mestre, maravilhando a todos com sua categoria inigualável, ganhando torneios e mais torneios, sendo como sempre a estrela maior de todas as disputas. 

O Wagner Triginelli, que acompanhava a trajetória do Jequitibá desde 1992, quando o viu pela primeira vez ainda pintado, desenvolveu uma admiração e uma afinidade ímpares por esse pássaro. 

Tentou adquirí-lo por três ocasiões: a primeira com o Flávio em 1996, fracassada; a segunda com o Guima, em 1999, fracassada; e, finalmente, com Chico Roque, em 2001, na véspera do torneio de Petrópolis, no Hotel em Niterói, no apartamento do Batista, o negócio finalmente foi fechado. E foi à vista! O preço não interessa, pois um pássaro deste nível único no mundo, não tem preço. 

E agora o Jequitibá encontra-se sob os cuidados e sob o afeto do Wagner Triginelli, como sempre, seguindo sua trajetória extraordinária, ganhando sempre, dando show por onde passa, atraindo as atenções de todos, despertando interesse nos mais diferentes torneios por esse Brasil afora.


Wagner Triginelli

É o grande campeão, é a lenda nacional! 

Mas o Jequitibá não tem dono, ninguém pode ser proprietário de uma das maravilhas da natureza; no máximo fica sob nossa guarda, pertencendo a todos que amam os pássaros e o seu canto. Como diz o grande Chico Roque na maravilhosa canção de sua autoria em homenagem ao Jequitibá: “... a mãe Natureza te fez um cantor, para falar da beleza que é o amor, que bendiz, eu quero te escutar, e chego até pensar que o mundo é mais feliz”!!!!! 

“Alguns tiveram o Jequitibá, muitos gostaram dele, poucos amaram este grande pássaro e ninguém tanto quanto Wagner Triginelli” – José Roberto Morais 

Texto de Wagner Triginelli

Escrito por Wagner Triginelli, em 10/3/2004

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

HISTÓRIA DO BICUDO FIOTE

Texto publicado com a colaboração da COBRAP (extraído da internet)

Fiote
Um Grande Mestre

Um pássaro predestinado, assim muitos analisavam um bicudo pardo, mas que já possuía um canto maravilhoso. Em 1987, há dezesseis anos surgia “Fiote”, nome dado pelo seu primeiro proprietário, Jorge Boeris, que antes de completar dois anos, ainda pintado, conquistou o primeiro campeonato brasileiro de canto clássico alta mogiana.

Naquela época não existia estaca para bicudos pardos, e mesmo disputando com pássaros adultos, “Fiote” participando de poucos torneios acabou ganhando todos, e atingindo uma somatória de pontos suficiente para torná-lo o bicudo campeão brasileiro mais precoce na história dos campeonatos.

Em 1992, foi adquirido por Celso Jardim, que após formar uma dupla com outro bicudo, que possuía o mesmo canto, “Cacique Negro”, conquistou três campeonatos brasileiros de canto de bicudo alta mogiana sem repetição, em 1993, 94, 95. Naqueles anos configurava-se a formação de uma linha de canto, que vem registrando durante os anos o surgimento de outros bicudos com canto semelhante ao do “Fiote”.

No ano seguinte despontava “Tamborim”, (vice-campeão brasileiro em 1995) bicudo pintado que possuía a mesma seqüência melódica do mestre “Fiote”. Em 1997, tornava-se pentacampeão brasileiro com repetição, “Xingu”, (campeão brasileiro com repetição em 1993, 94, 95, 96, 97) que também foi aluno do grande mestre “Fiote” e possuía seis notas a menos. O bicudo “Cacique Negro” foi o pássaro que conquistou o 1º torneio Intercontinental como o melhor bicudo de canto sem repetição e “Xingu” como o mais repetidor.

O bicudo “Fiote” foi gravado ao vivo em estúdio na cidade de São João da Boa Vista e com o lançamento da gravação do “Fiote”, em fitas K-7, disco de vinil, e de CD, em 1995, começou uma nova fase com aparecimento de novos bicudos com a mesma seqüência melódica de “Fiote”. O bicudeiro, José Carlos Camargo da cidade de Campinas, após meses de ensinamento de um bicudo criado desde primeiros de vida, viu seu pássaro-orfão, assimilar o canto do mestre. O bicudo “Fênix” saiu tão parecido que continha as mesma quantidade de notas do mestre, e a mesma seqüência melódica que gravou um CD e já vendeu milhares de cópias.

Companheiro, aluno e irmão de pai e mãe do grande mestre “Fiote”, o bicudo “Cacique Negro” (campeão brasileiro sem repetição em 1996), também colaborou com o mestre, ensinou dois pássaros de canto muito admirado naquela época, os bicudos, “Mister M” e “Xingó” ( campeão brasileiro sem repetição em 1998). Um acidente doméstico acabou vitimando, “Cacique Negro” e “Xingó”. Outro bicudo que aprendeu a cantar com “Cacique Negro”, de nome “Senna”, conquistou o campeonato brasileiro com repetição em 1999.

“Fiote” ainda seria campeão brasileiro em 1997, com seu novo proprietário Ednei David, e disputava campeonatos com seus alunos, que já começavam a atravessar fronteira do Estado de São Paulo. Com ajuda da gravação de seu canto existem registros de pássaros em varias cidades brasileira com a mesma linha do mestre “Fiote”, nos estados de Minas Gerais, Paraná, e Rio de Janeiro. Vários bicudos apareceram nesta época com canto da linha de “Fiote”, como “Chaparral”, “Menino da Porteira”, “Guarani”, e “Astro” e conquistaram muitos torneios de canto.

No ano de 2000, um bicudo de nome “Botafogo” foi adquirido por Manoel Dalbianco (Pité) da cidade de Jacarezinho, no Paraná. Com notas e andamento de canto semelhante ao mestre “Fiote”, conquistou o campeonato brasileiro em 2001. Segundo comentários de passarinheiros, existem bicudos com mesmo andamento de canto do mestre na cidade de São José do Rio Preto, Niterói, Belo Horizonte, e mais recentemente na cidade de Bauru vem destacando-se nos torneios de canto, um bicudo com nome de “Brioso” (vice-campeão brasileiro de 2003), que também assimilou o canto do “Fiote” através de gravações em CD. Outro bicudo que se destacou nos últimos anos com andamento e seqüência melódica do grande mestre “Fiote” é o bicudo “Mister” que foi a grande revelação de 2002 e conseguiu 3º lugar no campeonato brasileiro de 2003. Ficando atrás de “Brioso” e do campeão da temporada sem repetição “Estrela Dalva”.

Outro fato curioso em relação ao aprendizado de novos pardos com iniciação do canto “Fiote” está sendo registrado em um estilo de canto marcante, com as mesmas notas em uma velocidade menor e com uma bonita melodia, são pássaros que imitem as notas do “Fiote” em velocidade menor, mais lentos, como “Trem da Alegria”, “Estrela Solitária” e “Estrela Dalva” estes dois últimos quando pardos formaram a melhor dupla de bicudos pardos na categoria. Quando adultos já venceram muitos torneios e “Estrela Dalva” foi o campeão brasileiro sem repetição de 2003. O criadouro de José Jader Amorim (Ceará) e João Preá revelou muitos pardos nos últimos anos com esta linha de canto e entre os galadores do plantel destaca-se o bicudo “Pavarotti” irmão de “Fiote” e do “Cacique Negro”.

Destacando-se ainda um bicudo que desde pardo e ao atingir a fase adulta mostra a mesma seqüência de notas de “Fiote”, com nome de “Diamante Negro” conviveu com “Fiote”, que morreu em 2006, no local conhecido como “Recanto dos Bicudos” do bicudeiro Ednei David que mora no interior paulista, na cidade de Indaiatuba.

Nos últimos dez anos de torneios oficiais da Federação Brasileira de Pássaros Silvestres na categoria canto de bicudo, nas dez categorias de canto sem repetição, sete campeões são da linha do mestre “Fiote” e na categoria com repetição dos últimos dez campeões, oito bicudos são da linha de canto do grande mestre. Os registros dos mapas de torneios oficiais apontam que “Fiote” conquistou mais de 140 troféus em 1º lugar, sendo 125 sem repetição e 15 com repetição. Um canto que veio para ficar, e trazer muitas alegrias a todos os bicudeiros que possuem pássaros com a linha de canto clássico alta mogiana.